Professora Dra. Maria Suzana Marc Amoretti

Lead Semiótica, Brasil

suzana.amoretti@leadsemiotica.net

Universidad de la República

Montevidéo, 4 de maio de 2010

Por que fazemos mapas conceituais ?

Os fundamentos cognitivos para o uso de mapas conceituais estão nas Ciências Cognitivas. A construção de mapas conceituais faz parte de um processo cognitivo natural aprendido ao longo das nossas experiências de vida. Podemos definir Ciências Cognitivas como sendo:

“...o estudo sobretudo da inteligência humana, da sua estrutura formal ao seu substrato biológico, passando por sua modelização, até às suas expressoes psicológicas, linguísticas e antropológicas.” (IMBERT, Michel, 2000)

“... o estudo da mente e sua fundamentação concreta através dos métodos científicos da psicologia, da neurociência, da linguística, da lógica, da ciência da computação e da filosofia. (ANDLER, Daniel, 2006)

Ou podemos dizer que as Ciências Cognitivas têm por objeto “descrever, explicar e, eventualmente, simular as principais disposições e capacidades do espírito humano – linguagem, raciocínio, percepção, coordenação motora, planejamento...” (ANDLER, Daniel, Enciclopaedia Universalis, ed.1989-2010)

No entanto, a definição pelo objeto e pela enumeração das disciplinas relacionadas, isto é pela interdisciplinariedade, não é suficiente para definir, caracterizar ou circunscrever as Ciências Cognitivas porque elas não se definem somente por um objeto de estudo, uma hipótese ou uma tradição.

Segundo ainda Daniel Andler, as características principais das Ciências Cognitivas hoje são possuir uma certa concepção das relações entre os diferentes fenômenos visados e, em seguida, entre as disciplinas que compõem o chamado “hexágono cognitivo. Os pesquisadores em Ciências Cognitivas optam por uma “atitude” de investigação na qual a representação é vista como uma relação entre uma realidade independente e um sujeito à procura de uma imagem fiel desta realidade. O sujeito está sempre aquém de sua tarefa, isto é, ele está mais ou menos bem equipado para obter uma imagem fiel da realidade porque a cognição humana é fluída, robusta e falha.

A experiência humana de construir mapas conceituais explora a possibilidade de circulação entre o processo mental de categorização por meio da experiência humana, um dos objetos de estudo das Ciências Cognitivas. O processo de categorização assim como a aquisição de conceitos são resultado da aprendizagem de conceitos e têm, segundo Rosh, uma natureza prototípica. A auto-organização dos conceitos em categorias conduz o sujeito a explorar as propriedades por intermédio do conceito mais representativo da categoria: o protótipo.

O protótipo reúne as mais importantes propriedades de um conceito, representa toda uma categoria e é é formado a partir da interação contextual e dos conhecimentos compartilhados dos sujeitos de uma comunidade ou grupo social.

Conceitos como esquemas mentais

Os conceitos são esquemas mentais produzidos pela repetição de experiências. Esquemas mentais são um tipo de estrutura mental que permite que não precisemos pensar tão pesadamente a todo instante. Eles proporcionam a economia cognitiva, liberando nossa mente para novas aprendizagens. Ex: script (roteiro)

Todo esquema é constituído por um conjunto de traços de memória oriundos de percepções particulares do sujeito. É um conjunto de informações que dizem respeito a uma espécie observável, uma propriedade ou um tipo de acontecimento.

Os esquemas mentais podem exercer diferentes funções tais como: abstrair as modificações que as diferenças de perspectiva acarretam na aparência dos objetos, antecipar as propriedades do objeto que não são percebidas, preparar-se para agir sobre o objeto de maneira apropriada e liberar a carga cognitiva do sujeito, entre outras.

O conceito é “uma regularidade percebida em acontecimentos ou objetos, ou registros de acontecimentos ou objetos, designada por um rótulo”. (Novak, 1998) Podemos ter uma definição em extensão (enumeração de atributos) ou em compreensão (explicação).

Os conhecimentos podem ser de dois tipos: Declarativos ou Procedimentais. Os conhecimentos declarativos identificam-se com a Informação verbal: “É saber que alguma coisa é como é.” (Gagné, 1985). “Conhecimento declarado, geralmente em palavras, por meio de discursos, livros, escrita verbal, Braille, linguagem de sinais,etc” (Farham-Diggory, 1994), é quando o sujeito enuncia ou repete a regra, ele faz conhecimento declarativo.

O conhecimento procedimental é saber como fazer alguma coisa: dirigir um carro, fazer uma receita de cozinha, somar frações, traduzir, redigir um parágrafo. O conhecimento procedimental deve ser demonstrado, agindo.

Mapas Conceituais: expressão cultural de uma comunidade

O uso dos mapas permite-nos avaliar a percepção popular sobre os conceitos usados no dia a dia. Verifica-se o consenso de conceitos de uma comunidade cultural por meio do processo de categorização. Também são detectados através do processo de categorização o surgimento dos conflitos e a passagem à etapa da negociação. Observa-se desta forma a similaridade ideológica e os desvios cognitivos.

Cada mapa contará com formas diversas de avaliação, dependendo dos objetivos com que foram elaborados: associativos ou hierárquicos. As proposições formadas pelos núcleos e conectores são a menor unidade de informação que pode ser julgada verdadeira ou falsa. Uma rede proposicional – um mapa conceitual – compõe-se de partículas de informação interligadas por conceitos e conetivos.

Conhecimento integrado

O esquema mental - estrutura abstrata de conhecimento - é um padrão ou guia para entender um evento, um conceito ou uma habilidade cognitiva. O esquema indica os aspectos mais típicos de uma categoria e não é inato. O sujeito desenvolve uma organização interna refletindo as categorias presentes no seu meio ambiente.

Não estamos limitados por nosso invólucro corporal, pela pele que delimita nosso corpo e por isso devemos integrar o meio ambiente nas nossas explicaçoes, particularmente o meio ambiente social e o artefactual, valendo-se da Ecologia e da Sociologia. A cognição é um fenômeno que inclui os objetos e os outros seres humanos, isto é, a Cognição é Distribuída. Ela refere à estrutura do conhecimento e às suas transformações, incluindo não somente o processo de aprendizagem de um sujeito mas também o processo de cooperação e colaboração entre os sujeitos.

Como citar essa página:

AMORETTI, Maria Suzana Marc. BLOG BIARNESA. Conhecimento e esquemas mentais. 10 de maio de 2010. Online. http://blog.biarnesa.com/br/ Capturado em dia/mês/ano

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