“Harmonia Pura e Perfeita” do quadro de Rafael "A Transfiguração"
Por Maria Suzana Marc Amoretti, segunda-feira 18 de maio 2009 à(s) 01:57 :: LEAD Semiótica
A estrutura do quadro A Transfiguração (1520) de Rafael (Raffaello Santi ou Sanzio) nos seduz através de uma combinação elementar de repetição e variedade que nos oferece um efeito de sentido de simetria. Este é o último quadro pintado por Rafael e encontra-se na Pinacoteca do Vaticano.
A expressão “harmonia pura e perfeita” foi empregada inicialmente pelos gregos com relação ao escultor Fídias e, mais tarde, por vários críticos de arte para designar a obra de Rafael. Na verdade, temos nesta obra uma simetria perfeita entre, de um lado, a transfiguração de Cristo, rodeado pelos profetas Moisés e Elias e, de outro, o grupo formado pelos apóstolos, pelos pais do menino epiléptico e pelo próprio menino no momento de uma crise de epilepsia.
Para Nietzsche, A Transfiguração de Rafael ilustra a noção de “aparência da aparência” em que a primeira aparência é um espetáculo de dor que une este mundo triste a um novo mundo de aparências. No entanto, os atores da cena da primeira aparência são cegos porque prisioneiros dessa primeira aparência. Um mundo está condicionado ao outro que é uma resposta de esperança ao primeiro mundo de aparências. Rafael obteve a harmonia pura e perfeita nesta obra magistral que nos faz refletir até hoje.