Quem é o sujeito moderno ?
Por Maria Suzana Marc Amoretti, terça-feira 28 de abril 2009 à(s) 03:30 :: LEAD Semiótica :: #31 :: rss
O conceito de sujeito moderno está baseado nos processos de individualização e de racionalização das relações sociais do mundo. O sujeito moderno é percebido como um indivíduo com mais liberdade do que seus antecessores na história, independente e buscando acima de tudo a razão para guiar todas as suas ações e o seu comportamento social e moral.
Nessa busca da modernidade através da racionalização, o ser humano passa a ser um objeto moldável pela racionalidade científica e técnica. A sociedade como um todo também passou a ser vista como objeto de manipulação técnica. As instituições buscam a transformação do ser humano num meio racionalmente controlável. O sujeito moderno é objeto de controle social, é um instrumento ajustável aos fins do projeto moderno.
Segundo Bauman, a modernidade caracteriza-se, principalmente, pela idéia do projeto moderno de controle do mundo pela razão. Esse projeto consiste em melhorar o mundo através do ordenamento racional e técnico dos Estados-Nações e da ciência. O sujeito moderno é visto como indivíduo. Bauman conceitua a individualização como o “transformar a identidade humana de um ‘dado’ em uma ‘tarefa’ e encarregar os atores da responsabilidade de realizar essa tarefa e das conseqüências (assim como dos efeitos colaterais) de sua realização. (Bauman, 2001, p.40).
Mesmo havendo mais liberdade para os indivíduos serem distintos e diferentes uns dos outros, para que eles fossem aceitos socialmente deveriam conformar-se à identidade do Estado a que pertencem. O indivíduo moderno já não é determinado pelo seu lugar de nascimento ou por relações preestabelecidas, mas ainda pertence a grupos sociais homogêneos intrinsecamente.
Com a modernidade, os indivíduos ambicionam tornar-se alguém, destacarem-se do grupo, e lidar com as conseqüências dessa posição de destaque, tanto com o sucesso quanto com o fracasso na sua trajetória em busca da sua realização como indivíduos. Apesar da mobilidade, da aceleração do ritmo de vida, da racionalização das relações, as diferenças são vistas ainda com desconfiança, talvez por causa da exigência da unidade de conduta e modos de vida, núcleo da idéia de povo e de nação, serem características da modernidade.
No entanto, a modernidade é um período histórico em que, apesar da maior liberdade individual, a razão muitas vezes voltou-se contra ela mesma e o desejo de classificação e de controle racional de tudo, tentando suprimir as ambivalências do mundo, realçando a intolerância em todos os aspectos da vida e com isso trazendo também grandes malefícios para a sociedade humana como, durante a segunda guerra mundial, os campos de concentração e a tragédia nuclear de Hiroshima e Nagasaki, entre muitos outros.
O sujeito moderno vive em um mundo que implica na aceleração e na diluição dos conceitos de tempo e de espaço, na tentativa de eliminação da ambivalência através da razão, na intolerância às diferenças, no desenvolvimento da ciência e das novas tecnologias.
Referência Bibliográfica
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. 1ª ed. Rio de Janeiro: J. Zahar Ed., 2001.
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