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Machado de Assis : epilepsia, espiritismo e muito mais

Machado de Assis, Copyright ABL – Machado de AssisMachado de Assis é, indiscutivelmente, um grande escritor, cuja importância é reconhecida em nosso país, felizmente.

Machado de Assis (Joaquim Maria M. de A.), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras.

ABL – Machado de Assis

Ao apreciar a riqueza dos livros de Machado de Assis, surge logo o interesse em saber mais sobre a sua personalidade para buscar estabelecer algum tipo de relação entre a sua pessoa e os seus personagens.

Percebe-se muitas vezes, aliás, a menção das palavras cérebro e espírito pelo autor, além da descrição detalhada de sensações de confusão ou devaneio, com aspecto agradável ou não.

Quando observamos o uso freqüente de palavras como espírito, espiritualidade, alma, entre outras, podemos associar este tema de interesse de Machado de Assis com o crescimento do espiritismo no Brasil, especialmente com a fundação da Federação Espírita Brasileira, FEB, em 2 de janeiro de 1884, no Rio de Janeiro, justamente na cidade do autor.

Allan Kardec, Copyright Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec Com toda a inteligência, curiosidade intelectual e a vivacidade de Machado de Assis, imagina-se perfeitamente seu interesse pelas obras de Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), cujo pseudônimo é Allan Kardec, espelhando, inclusive, uma tendência então crescente no Brasil, que levou o nosso país a contar, atualmente, com o maior número de espíritas em todo o mundo.

Quanto à relação de Machado de Assis com o espiritismo, são citadas algumas referências do célebre autor em algumas de suas crônicas :

3 de julho de 1892 – Expõe sobre a reencarnação, fazendo a distinção entre esta de acordo com o Espiritismo e a metempsicose dos brâmanes. Interessante notar que ele reproduz praticamente na íntegra a inscrição encontrada no túmulo de Allan Kardec: “A lei é esta: nascer, morrer, tornar a nascer e renascer ainda, progredir sempre.” (Assis, 1997: 12).

23 de setembro de 1894 – Mais considerações a respeito da reencarnação e de como ela poderia explicar um caso de acusação de bigamia.

27 de outubro de 1895 – Entre outras considerações gerais surge o questionamento da divergência entre o artigo 157 do Código Penal de 1890, que declara crime “praticar o espiritismo, a magia e seus sortilégios”, e a Constituição Republicana, chamada de “mãe do Código”, que acabava com a religião do Estado.

Glaucio Cardoso, Recanto das Letras

Já com relação ao uso freqüente de palavras como cérebro, devaneio ou convulso, por Machado de Assis, percebe-se a sua preocupação com a condição mental:

A preocupação com a loucura esteve presente em vários de seus caracteres, especialmente no "O alienista" e descreveu uma crise de "automatismo ambulatório" em Rubião, de "Quincas Borba", que apresentava paralisia geral progressiva: "Deu por si na Praça da Constituição. Viera andando à toa" e em Brás Cubas, nas Memórias Póstumas :

"Ora, enquanto eu pensava naquela gente, iam-me as pernas levando, ruas abaixo, de modo que insensivelmente me achei à porta do hotel Pharoux. De costume jantava aí; mas, não tendo deliberadamente andado, nenhum merecimento da ação me cabe, e sim às pernas que a fizeram".

Associação Brasileira de Epilepsia, ABE

Carolina de Assis, Copyright ABL – Machado de Assis Machado de Assis tinha epilepsia e, ao que parece, procurava evitar o assunto, tendo até mesmo, escondido a disfunção neurológica da sua esposa Carolina, que só veio a saber da epilepsia do marido na circunstância de uma crise:

(...) O próprio Machado tinha pudor de sua enfermidade e não aludia a ela senão muito raramente e nunca lhe escrevia o nome, ocultando a doença até dos amigos mais íntimos, como em sua correspondência com o amigo Mário de Alencar: "O muito trabalhar destes últimos dias tem-me trazido alguns fenômenos nervosos...". Esta fobia pela palavra "epilepsia" era tão grande que a excluiu das edições ulteriores de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", e que deixara escapar na primeira ao descrever o padecimento de Virgília diante da morte do amante: "Não digo que se carpisse; não digo que se deixasse rolar pelo chão, epiléptica...", substituída por: "Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa...". Quando alguém lhe notou certa vez a dificuldade com que ele falava por causa das mordeduras da língua, justificava-a como "Estas aftas Estas aftas ". Ocultou-a inclusive da amada e dedicada esposa, Carolina, a quem devotava imensa ternura, não revelando seu problema antes do casamento. Provavelmente, a epilepsia de Machado de Assis teve início na infância, fato declarado pelo próprio Machado, ao tempo do primeiro ataque depois do casamento (uma crise generalizada tônico-clônica) de que sentira, em criança, "umas coisas esquisitas", que não se haviam mais repetido até aquela data. É possível, talvez, que Machado não tivesse tido até então uma crise típica (Pelegrino Jr., 1976). Esta crise denunciou, na idade adulta, a maior tortura da vida de Machado - a epilepsia.

Associação Brasileira de Epilepsia, ABE

Pode-se, no entanto, compreender a atitude de Machado de Assis. Com efeito, há preconceito com relação à epilepsia, mesmo nos dias de hoje, em que se acredita viver em uma sociedade mais evoluída e aberta. Um distúrbio neurológico é muitas vezes, infelizmente, confundido com uma limitação da inteligência ou da capacidade do epiléptico.

Segundo consta, Machado de Assis sofreu em virtude da epilepsia. Resta a dúvida se o maior sofrimento por ele sentido tenha sido em função das conseqüências orgânicas dos distúrbios – mal-estar antes das crises epilépticas, durante o estado de aura, ferimentos decorrentes das quedas e provável estranheza posterior às crises, na fase de reanimação, ou tenha sido maior o desconforto causado pelo esforço no sentido de não se expor à pressão social que delimita, nos costumes e na mentalidade do povo, as tênues fronteiras da “normalidade”.

Apesar de todas as dificuldades que Machado de Assis certamente viveu, e, mesmo havendo a expressão de sentimentos negativos em seus livros, principalmente no final de sua vida, pode-se certamente considerar sua atitude como positiva, de um modo geral. Com efeito, o autor manteve sempre uma conduta ativa, vencendo obstáculos com a força da genialidade das suas obras e sabendo partilhar a sua presença e os seus pensamentos através do seu trabalho.

Machado de Assis representa, certamente, muitas outras coisas mais, em adição à epilepsia ou ao espiritismo. Tais elementos são eixos importantes em sua obra, que revelam seus focos de interesse e até mesmo de preocupação em compreender e analisar a vida e as pessoas. Machado de Assis, na verdade, retrata a complexidade do ser humano e das relações interpessoais de um modo tão abrangente que nunca perde a atualidade, levando-nos, inevitavelmente, à reflexão.

Quem é o sujeito moderno ?

O conceito de sujeito moderno está baseado nos processos de individualização e de racionalização das relações sociais do mundo. O sujeito moderno é percebido como um indivíduo com mais liberdade do que seus antecessores na história, independente e buscando acima de tudo a razão para guiar todas as suas ações e o seu comportamento social e moral.

Nessa busca da modernidade através da racionalização, o ser humano passa a ser um objeto moldável pela racionalidade científica e técnica. A sociedade como um todo também passou a ser vista como objeto de manipulação técnica. As instituições buscam a transformação do ser humano num meio racionalmente controlável. O sujeito moderno é objeto de controle social, é um instrumento ajustável aos fins do projeto moderno.

Segundo Bauman, a modernidade caracteriza-se, principalmente, pela idéia do projeto moderno de controle do mundo pela razão. Esse projeto consiste em melhorar o mundo através do ordenamento racional e técnico dos Estados-Nações e da ciência. O sujeito moderno é visto como indivíduo. Bauman conceitua a individualização como o “transformar a identidade humana de um ‘dado’ em uma ‘tarefa’ e encarregar os atores da responsabilidade de realizar essa tarefa e das conseqüências (assim como dos efeitos colaterais) de sua realização. (Bauman, 2001, p.40).

Mesmo havendo mais liberdade para os indivíduos serem distintos e diferentes uns dos outros, para que eles fossem aceitos socialmente deveriam conformar-se à identidade do Estado a que pertencem. O indivíduo moderno já não é determinado pelo seu lugar de nascimento ou por relações preestabelecidas, mas ainda pertence a grupos sociais homogêneos intrinsecamente.

Com a modernidade, os indivíduos ambicionam tornar-se alguém, destacarem-se do grupo, e lidar com as conseqüências dessa posição de destaque, tanto com o sucesso quanto com o fracasso na sua trajetória em busca da sua realização como indivíduos. Apesar da mobilidade, da aceleração do ritmo de vida, da racionalização das relações, as diferenças são vistas ainda com desconfiança, talvez por causa da exigência da unidade de conduta e modos de vida, núcleo da idéia de povo e de nação, serem características da modernidade.

No entanto, a modernidade é um período histórico em que, apesar da maior liberdade individual, a razão muitas vezes voltou-se contra ela mesma e o desejo de classificação e de controle racional de tudo, tentando suprimir as ambivalências do mundo, realçando a intolerância em todos os aspectos da vida e com isso trazendo também grandes malefícios para a sociedade humana como, durante a segunda guerra mundial, os campos de concentração e a tragédia nuclear de Hiroshima e Nagasaki, entre muitos outros.

O sujeito moderno vive em um mundo que implica na aceleração e na diluição dos conceitos de tempo e de espaço, na tentativa de eliminação da ambivalência através da razão, na intolerância às diferenças, no desenvolvimento da ciência e das novas tecnologias.

Referência Bibliográfica

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. 1ª ed. Rio de Janeiro: J. Zahar Ed., 2001.

Inicia hoje o Ano da França no Brasil: França.Br 2009

O Ano da França no Brasil inicia hoje, dia 21 de Abril (comemoração do Dia de Tiradentes e da Inconfidência Mineira, movimento histórico do século XVIII brasileiro, inspirado na Revolução Francesa) e terminará no dia 15 de Novembro (comemoração da Proclamação da República) de 2009. A escolha das datas deve-se à importância dessas duas datas para a história e para a formação da identidade do povo brasileiro.

A cerimônia de abertura acontece nesta terça-feira, feriado nacional, na cidade histórica de Ouro Preto, no estado de Minas Gerais e conta com a presença da Ministra da Cultura da França, Christine Albanel e do Ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira. Na ocasião, a atriz e cantora brasileira Bibi Ferreira canta a Marselhesa - confira no vídeo abaixo.

Em 2005, houve o Ano do Brasil na França, como retribuição, estabeleceu-se um evento de reciprocidade, firmado em 2006 pelos Presidentes da República dos dois países e reforçado pela Declaração Conjunta de 12 de Fevereiro de 2008, assinada em São Jorge do Oiapoque, na Guiana, que é um plano de ação franco-brasileiro estabelecido por ambos os presidentes “imbuídos de uma vontade comum de desenvolver a parceria estratégica entre a França e o Brasil em suas dimensões transfronteiras, bilateral e internacional”.

Com a diversidade de eventos que ocorrerão, o público brasileiro terá oportunidade de conhecer e de compartilhar da riqueza do mundo cultural francês. O Blog da Biarnesa propõe-se a ser uma janela aberta para difundir e fortalecer as relações fraternas entre a França e o Brasil, contribuindo para que novas estratégias de desenvolvimento conjunto sejam firmadas e que novas e duradouras alianças aconteçam.

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