A queda da Bastilha influenciada pelo índio brasileiro
Por Maria Suzana Marc Amoretti, terça-feira 15 de julho 2008 à(s) 20:28 :: Geral :: #25 :: rss
Foi comemorada, no dia 14 de julho, a queda da Bastilha, que marca o início da Revolução Francesa em 1789 e simboliza a liberdade e o combate à opressão não somente para todos os cidadãos franceses mas também para todos os cidadãos da América Latina, e do Brasil em particular. Os ideais da República Francesa de Liberdade, Igualdade e Fraternidade são cultuados no Brasil e fazem parte da formação cultural do nosso povo.
No entanto, parte deste ideal de bondade fomos nós mesmos que exportamos para a França, quando através dos relatos dos viajantes (Hans Staden, André Thevet, Jean de Lery) que aqui chegaram. O mito do bom selvagem e do paraíso terrestre se fortificaram e vingaram no espírito europeu.
Em Rouen, foram levados alguns índios para serem mostrados ao rei da França Henrique II e à população francesa. Nessa ocasião, o escritor francês Montaigne dedica parte dos seus famosos Ensaios à descrição dos canibais brasileiros e à sua gentileza e bondade naturais, temática esta retomada no século XVIII pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau que cultuou o bom selvagem e a natureza em oposição à cultura.
O olhar europeu sobre a alteridade através do índio brasileiro trouxe os fundamentos conceituais que tornaram possível a Revolução Francesa. Assim, a doçura do selvagem brasileiro era uma resposta às grandes transformações sociais impostas pela Revolução Industrial. A idealização do homem em contato íntimo com a natureza tropical contrapunha-se com o desenvolvimento tecnológico da época, a produtividade, a propriedade privada e a reorganização social decorrente.
O escritor brasileiro Afonso Arinos de Melo Franco (1905- 1990) escreveu uma importante obra de literatura comparada intitulada O Índio Brasileiro e a Revolução Francesa (1937) na qual mostra a formação de uma nação que vai ao encontro do sonho europeu.
O autor explora a grande quantidade de ensaios filosóficos e de narrativas literárias inspiradas no índio brasileiro (ele detém-se principalmente no trecho dos Ensaios de Montaigne sobre os canibais brasileiros e a retomada do tema por Rousseau no seu Discurso Segundo sobre a bondade natural), descrevendo também a repercussão que teve o teatro de rua brasileiro em Rouen, fatos que influenciaram de maneira inquestionável o imaginário dos revolucionários franceses.
A utopia da liberdade vivida intensamente pelos revolucionários franceses foi inspirada em grande parte pelo Brasil. O pensamento europeu encontrou aqui material rico para a renovação cultural e o surgimento de novos valores. Assim, sentimos a data da queda da Bastilha mais próxima ainda de nós pelo imaginário comum das origens ao presente. Viva a França !
Comentários
1. Em segunda-feira 3 de novembro 2008 à 19:39, por Sullivan
2. Em quinta-feira 12 de fevereiro 2009 à 23:37, por mary
3. Em quinta-feira 9 de julho 2009 à 22:15, por Cruz
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