O Brasil

Através da sua diversidade de costumes e tradições, o Brasil apresenta grande riqueza de valores históricos e culturais.

Cada região brasileira oferece a extrema beleza de uma cultura única, naturalmente criada através da coexistência e da interação com outras culturas e valores (da África, da Europa, das populações indígenas...).

O Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul é uma região localizada no extremo sul do Brasil e sua capital é Porto Alegre.

No oeste do Estado do Rio Grande do Sul, algumas realizações impressionantes dos índios Guaranis deixaram vestígios na área que costumavam habitar, apesar dos séculos que se passaram após a deterioração parcial do resultado do seu trabalho artístico e arquitetônico, desde a expulsão dos Jesuítas em 1768.

De fato, as ruínas de São Miguel das Missões, originárias da Missões jesuítas dos índios Guaranis no Brasil nos séculos XVII e XVIII, estão classificadas como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1983.

Já em território argentino, as Missões Jesuítas dos índios Guaranis deixaram as ruínas de San Ignacio Mini, Nuestra Señora de Loreto e Santa Maria Mayor.

Essas ruínas evocam uma experiência social e cultural inédita da colonização na América do Sul, vivida pelos índios Guaranis no Brasil, na Argentina, no Uruguai e no Paraguai, sob tutela dos jesuítas.

Patrimônio Cultural da Humanidade

De acordo com o site oficial do Governo do Brasil sobre nosso patrimônio cultural:

Em atitude pioneira, em 1983, o Brasil propôs o reconhecimento das Ruínas de São Miguel como Patrimônio Cultural da Humanidade. Como decorrência, elaborou-se uma proposta mais abrangente, englobando as principais Missões Jesuíticas na América.

Foram então inscritos em 1985, os seguintes remanescentes missioneiros, sob o critério (iv), dada a sua importância testemunhal, sobretudo no que concerne à forma de organização social e de ocupação do território sul-americano: na Argentina, San Ignácio Mini, Santa Ana, Nuestra Señora de Loreto e Santa Maria Mayor; no Brasil, no Estado do Rio Grande do Sul, as Ruínas de São Miguel.

Posteriormente, em 1990, na Bolívia, Chiquitos. E, em 1993, as Missões de Trinidad e de Jesus, no Paraguai.

Ruínas do novo mundo

No Brasil, as Ruínas de São Miguel, uma das mais antigas missões dos Sete Povos no Rio Grande do Sul, vieram a ser o primeiro sítio tombado pelo então criado SPHAN (1937), atual IPHAN, constituindo-se naquela ocasião símbolo de agregação territorial, união nacional e identidade do povo gaúcho.

Em 1983, esse conjunto, único exemplar completo de torre e frontaria remanescente dos povos jesuítico-guaranis localizados no Brasil, na Argentina e no Paraguai, foi aprovado como um “testemunho do nascimento de um novo mundo, gerado pela expansão européia do século XVII e pela ação civilizadora jesuítica. (...) Este monumento não é apenas parte da história deste país, mas marco importante na história mundial” .

“As ruínas da Igreja do Povo de São Miguel, em meio aos restos de paredes, de fundações e de pavimentações das demais construções, casas dos padres, oficinas, colégio, cemitério, casa dos índios, constituem vestígios notáveis da primeira civilização que se implantou no trópico e que se destacou na fase missionária de colonização dos povos da América Ibérica por suas características sociais, econômicas, culturais e religiosas”. .

Ação missioneira

A “terra da paz”, antes da chegada dos jesuítas, estabelecia regras que faziam do trabalho um prazer: os índios não armazenavam, não vendiam, apenas trocavam produtos. Compartilhando, como uma só família, gente, natureza e animais, nada possuíam, lembrando o reino celeste prometido pelo cristianismo.

Não havia governo: palavra e tradição regiam as comunidades, que, apenas em determinadas ocasiões, elegiam os tubichás, para que as comandassem. Foi essa ausência de comando que possibilitou aos jesuítas, sob as leis de Felipe II, rei da Espanha, dominar nações pacíficas que não possuíam a cobiça característica das sociedades divididas entre ricos e pobres.

Aos 170 anos de poder teocrático na república guarani deixaram como legado uma língua nativa oficial no Paraguai, única na América Espanhola. No desenvolvimento técnico, a fundição de ferro e o uso da terra para o plantio; no arqueológico, vestígios de ruínas de imensos templos e cidades utópicas.

Das artes musicais quase nada restou, a não ser relatos da construção de instrumentos e constituição de orquestras. Com respeito às artes plásticas, como pinturas e ornamentos, conservou-se somente um número reduzido de imaginária, que, acredita-se, naquele período eram cerca de 1.000 peças, restando hoje 45 no Museu das Missões, projetado por Lúcio Costa, e 127 espalhadas por todo o Estado do Rio Grande do Sul.

Nas reduções, os objetivos principais da Companhia de Jesus eram a doutrina e a catequese, bem como a vida comunitária. O programa das edificações deveria satisfazer as necessidades de uma comunidade com vida autônoma e organização socioeconômica quase auto-suficiente, dimensionada para abrigar de 4.000 a 5.000 almas – meta que, quando atingida, levava à criação de outra redução e assim progressivamente, como determina a Coroa Espanhola, ao tomar posse da terra.

No burgo, os blocos de edifícios eram construídos paralelamente aos primeiros, surgindo dessa forma entre eles, numerosas ruas, todas em esquadro à moda espanhola.

Fonte: Patrimônio Cultural, Governo do Brasil