Particularidades Cognitivas da Orientação Acadêmica em EAD
Por Maria Suzana Marc Amoretti, quinta-feira 2 de julho 2009 à(s) 19:07 :: LEAD Semiótica
A experiência em EAD permite que os alunos sejam eficientes naquilo que é essencial aos seus desejos.
Diferentes pesquisas comprovaram que há diferenças entre estudantes que se inscrevem em cursos à distância e estudantes que se inscrevem em cursos presenciais tradicionais com relação a certas características individuais como gênero, idade, situação social, lugar onde mora, os motivos que levam o aluno a optar por uma modalidade ou outra de ensino, a experiência em educação à distância. Além disso, as particularidades cognitivas dos alunos desempenham também um papel fundamental, como o estilo de aprendizagem, o estilo cognitivo, a motivação, o lugar de controle, a interação e a autonomia.
A Orientação acadêmica é considerada como uma atividade de enquadramento pedagógico em EAD. O enquadramento pedagógico define-se como uma série de recursos colocados à disposição do estudante para facilitar a sua aprendizagem. Esse enquadramento pode ser garantido pelo professor no caso da orientação acadêmica ou pelas funcionalidades integradas no sistema informático (awareness) ou, ainda, pelos próprios estudantes através de grupos de apoio estudantil.
Para a utilização da atividade de enquadramento – orientação acadêmica – verifica-se, inicialmente, a experiência que o estudante tem em formação à distância e a sua atitude frente à formação à distância. Uma constatação geral é que os estudantes, experientes ou não, dão mais importância às atividades que serão avaliadas com atribuição de notas e conceitos. As atividades de enquadramento percebidas como não controladas pela instituição ou que não lhes permite avaliar ele próprio a sua performance são geralmente ignoradas. As atitudes dos estudantes com relação à educação à distância são indicadores tão importantes quanto o seu desempenho para a identificação da eficácia dos cursos realizados na modalidade à distância.
Mas é fundamental o conhecimento por parte do orientador das características cognitivas que vão determinar o sucesso do estudante no curso à distância. O orientador que conhece o estilo de aprendizagem dos seus alunos – a predisposição ou forma que o sujeito adota na abordagem de tarefas de aprendizagem - tem condições de adotar estratégias de trabalho diferenciadas e mais individualizadas, dando à sua prática educativa mais significado e também destacando elementos motivadores para os alunos. É importante também conhecer os estilos cognitivos (embora eles façam parte do estilo de aprendizagem, eles podem ser estudados de maneira mais focada). Os estilos cognitivos – formas de estratégias cognitivas utilizadas pelos indivíduos na codificação da informação - afetam o desempenho dos alunos em diferentes meios computacionais e a sua análise ajuda o orientador a direcionar as suas interações com os alunos.
Destacamos o aspecto de autonomia do aluno na EAD. A autonomia é sempre relativa e diferente de indivíduo para indivíduo, variando também de um curso para outro. Segundo Moore (Moore, 1993), a importância da distância transacional em um curso depende de três conjuntos de variáveis: o diálogo, a estrutura e a autonomia do estudante. Assim, podemos conceber as relações entre essas três variáveis através de diferentes composições entre elas: mais a estrutura é importante, fechada, sem imprevistos, permitindo uma aprendizagem segura e consistente (embora unidirecional) mais o diálogo é fraco e mais o estudante poderá exercer sua autonomia dentro do ambiente virtual de aprendizagem. Por outro lado, a ênfase na aprendizagem dialógica proporciona o encontro do Orientador com o estudante, favorece o crescimento cognitivo de ambos e o exercício da reflexão propicia a tomada de decisão consciente, favorecendo a autonomia social do indivíduo. O diálogo na educação à distância desenvolve uma forma autônoma de ensino e aprendizagem.
A interação é uma dimensão importante no processo de conhecimento da elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), da monografia, da dissertação de mestrado e da tese de doutorado. A utilização dos recursos tecnológicos como o correio eletrônico na orientação, apesar de facilitar as relações entre o estudante e o orientador que o enquadra não soluciona problemas comunicacionais que merecem nossa atenção, tais como problemas de linguagem, de lógica, de civilidade e de esquemas comunicativos.
Outro aspecto cognitivo importante é o lugar de controle que define-se como uma construção que se refere à crença que o indivíduo tem de controlar ou não a sua vida e é composto por duas orientações: o controle interno e o controle externo. (Rotter, 1966). Há controle externo quando um reforço consecutivo a uma ação é percebido como sendo o resultado do acaso, da sorte, do destino ou do poder que certas pessoas exercem sobre nós. Há controle interno quando, ao contrário, uma pessoa percebe um acontecimento como imputável a seu comportamento e a suas características pessoais. A operacionalização desse conceito acontece também em escala de três dimensões IPC (interna, pessoal e chance) a partir de Levenson (Levenson, 1972), desenvolvida a partir da escala em duas dimensões idealizada por Rotter.
Finalmente, a motivação, fundamental para o êxito dos cursos à distância, é uma característica afetivo-cognitiva que tem sua origem nas percepções que o indivíduo tem de si mesmo e de seu ambiente. Tem a função de incitar o sujeito a se engajar em uma ação e a persistir nessa ação até a sua conclusão a fim de atingir um objetivo. Os indivíduos adquirem, através das suas experiências de vida, necessidades específicas (meios para atingir satisfação) como a realização, a afiliação ou o poder. A motivação das pessoas, em determinadas situações, pode ser influenciada por essas três necessidades. (McClelland, 1987). Na motivação realização encontramos pessoas que gostam de projetos desafiadores com objetivos elevados. Trabalham sozinhos e tomam suas próprias decisões. Não trabalham bem sob supervisão cerrada. Precisam de feedback constante. Competem como forma de auto-avaliação. Na motivação afiliação os indivíduos demonstra m sua melhor performance em ambientes colaborativos e cooperativos. Eles têm avidez por interação, precisam ser amados e desfrutar da companhia dos outros, relacionar-se cordial e afetuosamente com os outros. Precisam falar da família, dos amigos e têm muitos outros interesses sociais. Na motivação poder os estudantes desenvolvem melhor seu potencial tendo a oportunidade de gerenciar/controlar outras pessoas. Tendem a ser firmes, diretos e competitivos, também persuasivos, se necessário. Gostam de dar conselhos e exibir objetos que revelem status. Precisam exercer influência em outras pessoas.
A Orientação acadêmica à distância está baseada no diálogo e deve levar em conta uma complexidade de fatores como perfil do aluno, estilo de aprendizagem, estilo cognitivo, atitude do aluno com relação à EAD, autonomia, lugar de controle, interação e motivação. Considerando também a intenção das instituições e as percepções dos estudantes, parece-me então ser necessário o oferecimento de ferramentas para atingir as metas e objetivos propostos, buscando sempre mecanismos que permitam uma discussão orientada, ajustada o perfil dos estudantes. Esse diálogo deve incitar os estudantes a implicarem-se ativamente no trabalho proposto, fornecendo ao final, como resultado, aquilo que cada um considera importante.
Referências Bibliográficas
Levenson, H. (1972). Distinction within the concept of internal-external control: Development of a new scale. Proceedings of the 80th Annual Convention of the American Psychological Association, 261–262.
McClelland, David (1987). Human Motivation, Cambridge University Press.
Moore, M.G. (1993). Theory of transactional distance.D. Keegan ed.
Rotter, J. (1954). Social learning and clinical psychology. Englewood Cliffs, N.J.: Prentice- Hall.
Rotter, J. B. (1966). Generalized expectancies for internal versus external control of reinforcement. Psychological Monographs, 80, 1–28.
Mesmo havendo mais liberdade para os indivíduos serem distintos e diferentes uns dos outros, para que eles fossem aceitos socialmente deveriam conformar-se à identidade do Estado a que pertencem. O indivíduo moderno já não é determinado pelo seu lugar de nascimento ou por relações preestabelecidas, mas ainda pertence a grupos sociais homogêneos intrinsecamente.

